sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Palavrões baianos
Salvador é uma baderna, a verdadeira “casa de mãe Joana”. Uma cidade que tem ojeriza à organização, a disciplina, a ordem, aos limites, ...baiano gosta de avacalhação. Soteropolitano ama ser “largado”. Quanto mais bagunçado, melhor. Sujeira, desordem e falta de educação, na Bahia, são expressões de cultura e arte.
Para os baianos, organização é coisa de fresco, chato, metido, cê-dê-efe, menino amarelo, otário, abestalhado, mulherzinha, patricinha, mauricinho, menino criado com vó, paulista, falso moralista, preconceituoso, racista, político de direita, capitalista, imperialista, intelectual, vizinho, chefe, amigo.... baiano que é baiano tem que ser “baderneiro”.
Baiano que é baiano cospe no chão, urina na rua, joga lixo no chão, pela janela do carro, do ônibus ou apartamento, grita, fala alto, ouve som alto, não respeita fila, fura o sinal vermelho, estaciona em vaga de idoso, anda pelo acostamento, come de boca aberta, fala de boca cheia, limpa o nariz e passa a mão na roupa, vai a cerimônias vestido como se fosse a uma festa de largo, tem um português sofrível, usa idosos e crianças para furar fila, não lê placas informativas, não respeita nada e nem ninguém.
Não há distinção. Rico ou pobre, se for baiano é mal educado, não respeita regras ou limites, se revolta contra qualquer ato ou pessoa que proponha organização. Na Bahia o “jeitinho brasileiro” tem a sua pior versão. Baiano não quer pagar estacionamento, abadá, festa, couvert, camarote, taxas, tarifas, multas, impostos, condomínio, prestações... a regra geral é "de grátis”. Baiano está acima da lei e da ordem. Os patrocinadores de eventos sofrem com os “urubus de cortesia”. Os donos de bares sofrem com os “serrões”.
Respeitar regras é privação de liberdade e baiano é livre. Ser organizado é retroceder ao período da ditadura militar e baiano é democrático. Aqui todos podem tudo. Cada um faz o que quer e bem entende. Salvador é a terra da alegria e alegria não tem limites. Tudo em Salvador é um “cacete armado”. Tudo é feito a “migué”. Do shopping à bodega. Do aeroporto à rodoviária.
Em todos os ambientes sociais, da praia ao escritório, organização, disciplina, regras, limites, são ofensas. O chefe, o síndico, o vizinho, o colega de trabalho que tentar colocar ordem, será imediatamente taxado de "cheio de nove horas”.
Nos shoppings ou na rua, praias ou piscinas, restaurantes ou botecos, teatros, cinemas, tem-se uma tarefa de paciência e tolerância diante de tanta falta de educação, tanta falta de ordem, tanta falta de regra, disciplina, limites, de leis sérias.
Adultos arrogantes, prepotentes e mal educados são intocáveis, todos são donos da “verdade”. Tudo é motivo para gritar e humilhar um garçom, um balconista, um motorista, a secretária ou um ascensorista. Tudo em nome de defender os seus direitos. “Eu sei os meus direitos” uma sentença sempre pronunciada de “boca cheia”.
Ninguém que saber de seus deveres ou obrigações, só dos direitos. Nunca os direitos dos outros. Só os seus direitos. O vizinho não tem direito. O colega de trabalho também não tem. As regras, os limites, a organização, são para os outros e só podem valer para si, se lhe trouxer algum beneficio.
Os países civilizados que são invejados, imitados e desejados, só são civilizados porque possuem organização, disciplina, ordem e limites. Limites rígidos que todos obedecem e os que não obedecem, são severamente punidos, independente do status social. Mas, aqui em Salvador não há limites. E baiano quando vai a Europa paga “mico” por sua completa falta de educação e civilidade.
Tá desempregado, coloque um isopor em qualquer lugar para vender qualquer coisa. Tá precisando de um terreno maior para sua piscina, invada o terreno ao lado. Tá precisando estacionar, pare na vaga do vizinho. Tá com pressa, fure a fila. Tá atrasado, fure o sinal vermelho. Tá endividado, sonegue. Tá triste, ligue o som bem alto. Tá com a mesa suja, sacuda a tolha da mesa pela janela. Em Salvador pode tudo!
Ser infrator é motivo de orgulho. Fazer o certo é coisa de “vacilão”. Dirigir acima do limite de velocidade permitida é ato de heroísmo. Dirigir a 80 km/h é coisa de imbecil. Furar a fila do elevador é sinal de esperteza, não de falta de educação.
Em Salvador alegria é sinônimo de “esculhambação”. Irreverência é sinônimo de baderna. Descontração é sinônimo de desrespeito. Liberdade é libertinagem. O importante é ser feliz na “quebradeira”.
E a culpa de tudo isso é do governo. Coitado do governo, responsável pela educação doméstica, pelo caráter, pela personalidade dos cidadãos. Ninguém quer ser responsabilizado e o mais fácil é culpar o governo, este ente abstrato, capaz de aliviar o peso das responsabilidades alheias, os defeitos e pecados de todos.
O comércio informal e os empresários “mangueiam” a cidade. O poder público e o cidadão comum, também. Ricos e pobres se misturam na balburdia urbana. Todos, sem exceção, fazem questão de mostrar que são “livres” e como tal não precisam ter o mínimo de compostura e respeito à vida em sociedade. Na cidade do Salvador há um pacto tácito de mediocridade.
Aceitamos como normal e natural vivermos numa cidade “esculhambada” e ficamos esperando que um “super-homem” venha resolver o caos. Achamos normal e natural sermos mal educados, não respeitarmos regras, normas, limites, ordem ou disciplina.
E assim vamos vivendo, fingindo que está tudo bem. Na Salvador que não é de ninguém. Silenciosos, afinal, o soteropolitano pode ficar muito aborrecido se ouvir algum palavrão que rime com organização.
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Carlos meu filho... se eu já não fosse seu fã, eu ficaria agora.
ResponderExcluirO texto é seu?
ResponderExcluirEu acredito que muita coisa precisa mudar no que diz respeito ao comportamento do povo brasileiro, entretanto fazer da nossa cidade o bode espiatório, não cabe. Essa é uma quetão de educação familiar, vem de berço e depois das escolas e do convívio com a sociedade. Talvez se pelo menos o governo fizesse sua parte, investindo dentre outras coisas, na educação (escola/professor/ensino)...tá muito vazio esse texto, faltou o contexto.
Prezado Carlos Moura, boa noite!
ResponderExcluirConcordo com o seu relato, é perfeito quando descreve nosso povo. Eu tenho impresso uma entrevista com um grande brasileiro (mestrado e doutorado em diversas áreas) vivendo no exterior, onde relata a um repórter sua apreensão em voltar ao país por medo da violência e o repórter retruca que violência existe em todo lugar, ao que o entrevistado responde que falar alto, buzinar insistentemente inclusive em frente a hospitais, após às 22;00hrs, som de carros e
veículos com propagandas isso tudo também é violência que em lugares civilizados não existe.
Saudações,
Bira
ubirajara.engprod@oi.com.br
Sr. Carlos Moura, achei o seu texto impecável apesar da Sra. Elissa entender que falta contexto. Vejo que retrata fielmente o jeito baiano de ser. Confesso que tenho vergonha mesmo quando digo que sou baiano e antes que digam porque não saio é porque sou um daqueles que ainda nutrem um fiapo de esperança que vai aparecer um "Superhomem" para nos resgatar dessa degradação moral em que vivemos. Sempre fazia comentários nos blogs do Jornal A Tarde e Correio da Bahia mas chegou um momento que entendi que o imortante para a maioria é comentar sobre pagodes, futebol e novelas, (os meios de comunicação que citei que até deveriam fazer suas partes dando enfase ao bom comportamento por motivos escusos estimulam a baixaria) é uma pena mesmo, daqui para frente vou estar lhe acompanhando na esperança que as pessoass realmente educadas possam propor melhorias e plantar frutos de forma que nossos filhos e netos tenham dias melhores, poque a nossa geração só vai ver esse caos infernal.
ResponderExcluirSr. Carlos Moura, achei o seu texto impecável apesar da Sra. Elissa entender que falta contexto. Vejo que retrata fielmente o jeito baiano de ser. Confesso que tenho vergonha mesmo quando digo que sou baiano e antes que digam porque não saio é porque sou um daqueles que ainda nutrem um fiapo de esperança que vai aparecer um "Superhomem" para nos resgatar dessa degradação moral em que vivemos. Sempre fazia comentários nos blogs do Jornal A Tarde e Correio da Bahia mas chegou um momento que entendi que o imortante para a maioria é comentar sobre pagodes, futebol e novelas, (os meios de comunicação que citei que até deveriam fazer suas partes dando enfase ao bom comportamento por motivos escusos estimulam a baixaria) é uma pena mesmo, daqui para frente vou estar lhe acompanhando na esperança que as pessoass realmente educadas possam propor melhorias e plantar frutos de forma que nossos filhos e netos tenham dias melhores, poque a nossa geração só vai ver esse caos infernal.
ResponderExcluirÉ hoje... Continua tudo igual...
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ResponderExcluirSou seu amigo e admirador, contudo não concordo com a afirmativa de que tudo de ruim que existe no comportamento humano é feito pelo baiano. Já vivi em outra grande metrópole e tudo acontecia da mesma forma. Como podemos ter um povo educado e que dê bons exemplos com os políticos que temos, salvo raríssimas exceções, que só pensam em se locupletarem. O fator principal para o desenvolvimento de uma nação está na educação de qualidade. Temos isto no Brasil? Sou baiano com muito orgulho e entendo o porquê do comportamento inadequado de uma parte da população que só é lembrada na hora da caça ao voto.
Aqui em salvador,cidade em questão nao ha regras devido as nossas próprias leis mediocres
ResponderExcluirexemplo: tenho um vizinho desgraçado que mantem um som absurdamente alto praticamente todos os dias da semana,ja liguei pra sucom,policia e de nada resolveu
como nao existe quem repreenda esse tipo de marginal,a desordem continua
caso houvesse leis rigidas como nos paises e cidades civilizadas aqui tambem seria um lugar legal
gosto daqui da bahia,mas,minha esposa insiste pra que nos mudemos pra outro estado
Aqui nao é de todo ruim,as pessoas são acolhedoras e calorosas
as pessoas aqui em sua maioria sao pobres e nunca tiveram contato com escola,leitura etc
Amei o texto,chega ate ser engraçado em alguns pontos,porem,
é ofensivo e tendencioso
pode ate ser aplicado a maioria,mas,nao é so aqui em salvador nao,isso infelizmente abrange todo nosso territorio nacional.