sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

TAXISTAS PERDIDOS

A concorrência acabou com o monopólio dos taxistas em Salvador e no Brasil. A exclusividade do serviço foi quebrada de maneira irreversível e a categoria precisa acordar e compreender este novo momento. Os usuários saborearam algo diferente, inovador e sedutor, gostaram e aprovaram. Mas, não só os usuários, também taxistas que estão mudando de lado.

O serviço de taxi não deixará de existir, mas precisa acompanhar os novos tempos. Os taxistas precisam mudar radicalmente suas mentalidades, se unirem, se reinventarem, se modernizarem, pois três elementos poderosos estão contra eles. Elementos poderosos e invencíveis. O preço, a qualidade e a tecnologia do serviço oferecido pelo seu concorrente direto.
O preço da corrida de taxi em Salvador é alto. Os custos e os impostos que compõe a tarifa afugentam os usuários, mesmo diante da Lei Seca que em tese aumentaria a demanda de clientes. No outro extremo o concorrente apresenta preços menores, pois não paga impostos ou tarifas públicas. Uma concorrência desleal que urge ser corrigida.
A qualidade, com poucas exceções, do serviço prestado pelos taxistas de Salvador é lastimável. Os motoristas que fazem ponto no Ferry Boat, Estação da Calçada, Shopping Iguatemi e Estação Rodoviária, apenas para citar alguns exemplos são mal educados, impacientes, descuidados e desatenciosos, têm péssima apresentação visual e higiene pessoal, são seletivos, colocando os passageiros na condição de mendigos, que imploram por um favor e não pela prestação de um serviço, que é pago.
O uso da tecnologia é quase inexistente na frota de taxi de Salvador. Soteropolitanos e visitante não têm nenhuma ferramenta que facilite o acesso e utilização do serviço disponibilizada pela Prefeitura ou entidade que represente a categoria. Os poucos recursos tecnológicos são disponibilizados por grupos particulares, cuja preocupação é o lucro, não a melhoria constante de atendimento aos usuários.
Costurando o preço, a qualidade e a tecnologia, têm-se a linha de fibra carbono da política que coloca o sistema de taxi dentro uma caixa-preta com muitos segredos a serem desvendado, alguns privilegiados e uma multidão de escravos do volante. Caixa-preta protegida pelo sepulcral silêncio da Câmara de Vereadores do Salvador. Um conjunto de elementos que enfraquece, não moderniza e colocar em risco a existência da categoria.
Os taxistas precisam acordar. O sistema de taxi do jeito que esta irá à falência. Queimar pneu ou engarrafar as ruas, apenas atrapalha a cidade e joga o povo contra os taxistas, nada, além disso.  Não resolve o problema da categoria. Esta é uma pratica sindicalista primitiva e ultrapassada que nos dias atuais é inócua. Afinal, A prefeitura, a Câmara de Vereadores, a Governadoria, a Assembleia Legislativa e o Ministério Público não funcionam no Iguatemi. Além de engarrafamento e da ira do povo, o que foi conseguido na frente do Iguatemi?
Quem são os inimigos dos taxistas? A falta de visão de futuro sobre o mercado em que atuam e a desagregação da categoria. Os concorrentes não são os inimigos a serem vencidos. Se estes forem regulamentados, pagarem impostos e tiverem suas áreas de atuação claramente delimitadas, teremos atividades complementares e o equilíbrio na prestação do serviço.
Neste cenário, será útil e eficaz colocar os Vereadores, Deputados Estaduais, Prefeito, Governador e Promotores na linha de frente deste problema. Pressiona-los de forma organizada e inteligente, com argumento e proposta factíveis. Propostas estudadas cuidadosamente e validadas pela categoria, focadas no coletivo e não no “umbigo” de cada taxista.
Os taxistas precisam construir uma política pública para assegurar a existência de suas atividades. Precisam trabalhar politicamente excluindo a politicagem de dentro da própria categoria, expurgando os oportunistas de dentro e de fora, reconhecendo os erros, afastando-se da ganância de ganhar a diária em uma só corrida, procurando soluções e inovações, trazendo a população para o seu lado, ou melhor, para dentro do taxi.
Na esteira das políticas públicas, esta inserida a questão da transparência, para a qual cabe perguntar: Qual o resultado do recadastramento das outorgas para exploração e prestação do serviço táxi, proposta pela Recomendação nº 003/2016 do Ministério Público da Bahia à Prefeitura de Salvador, em face do Procedimento de Investigação Preliminar, Processo SIMP nº 003.0.484/2013?
Ou seja, precisamos saber quem é quem no serviço de taxi de Salvador. Quem ganha, quem é explorado e por que o cidadão fica em último plano neste processo. Os taxistas unidos podem colocar a Vereadores, Prefeitura e Governo do Estado a serviço da sociedade soteropolitana para:
Ø  Promover reavaliação dos critérios de financiamento para ampliação e renovação continuada da frota de taxi;
Ø  Desenvolver sistemas informatizados e aplicativos para uma melhor prestação do serviço de taxi e atendimento ao usuário;
Ø  Normatizar a atividade do motorista auxiliar para evitar a exploração da mão de obra;
Ø  Elaborar estudo científico para reavaliação, racionalização e redução das tarifas do serviço de taxi;
Ø  Estimular a qualificação periódica e continuada dos taxistas no atendimento ao publico;
Ø  Construir a integração do trade turístico, shoppings, produtoras de eventos dentre outros segmento econômicos com os taxistas;
Ø  Dar transparência ao processo de concessão dos alvarás dos taxistas;
Ø  Implantar o sistema de avaliação individualizado dos permissionários com foco na qualidade no atendimento ao cidadão;
Em suma, o serviço de taxi de Salvador precisa abandonar radicalmente conceitos e práticas antigas. Se reinventar de maneira urgente, envolvendo os poderes públicos e reconquistando o povo, caso contrário, os taxistas estarão perdidos.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

VOTO, UM DIREITO DEMOCRÁTICO.


Winston Leonard Spencer Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido, pós fim da Segunda Guerra Mundial, em discurso no dia 11 de Novembro de 1947 na Casa dos Comuns, o equivalente a nossa Câmara dos Deputados hoje, afirmou.
Democracy is the worst form of government except from all those other forms that have been tried from time to time
"A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".
O conceito de democracia, sistema político criado na antiga Grécia, ao longo dos anos tem se aperfeiçoado, mas continua na sua essência assegurando a participação do povo nas decisões do governo.
Winston Churchill estava certo. Com todos os defeitos e mazelas viver numa democracia é infinitamente melhor do que viver em qualquer outro regime político. Em especial, numa ditadura, que alguns ignóbeis tentam ressuscitar.
Este texto jamais poderia ser escrito e publicado se estivéssemos em um país com sistema ditatorial como na China, no Paquistão, no Irã ou Arábia Saudita, resguardando as devidas proporções culturais e políticas. Nestes países, ações que são banais para nós brasileiros, são proibições severas, passiveis até de pena de morte.
Acessar a internet pode levar à prisão e condenação à morte; beber cerveja no Irã, a punição são 80 chicotadas; muçulmanos não podem namorar, fazer sexo fora do casamento, pois são punidos com prisão de até cinco anos; a mulher que vier a dirigir carros na Arábia Saudita recebe 10 chicotadas e não pode escolher as próprias roupas, viajar sem a permissão do marido ou pai; em países islâmicos o ato de raspar a barba é pecado; no Sudão e na Arábia Saudita têm pena de morte para gays, lésbica ou bissexual.
Imaginemos os “putões”, as “piriguetes”, os “mauricinhos”, as “patricinhas”, os “militantes políticos” e “os donos da verdade” sentados nos bares. Como viveriam em um regime ditatorial com tantas proibições e punições severas?
A “segunda-feira Gorda de Ribeira”, a “Segunda Sem Lei de Itapuã”, o final de semana em Itaparica, as lavagens, os churrascos nas lajes, as garagens, as raves, os pagodões, os paredões, os arrochas? Como seriam?
Tudo isso que temos e podemos fazer é fruto do regime democrático que vivemos. Que nos dá o direito de liberdade e de expressão. Dá-nos direito, a exemplo sentar na frente de um computador e na segurança de nossa casa e anonimato “esculhambar” livremente com tudo e com todos, sem sermos penalizados, perseguidos, torturados ou mortos.
E mesmo diante da imensidão de liberdade que temos, muitos querem fugir ao mínimo de responsabilidade, optando pela ideia simplista, distorcida e pequena do voto em branco, nulo e facultativo.
O voto branco, nulo ou facultativo não será a solução para nossos problemas políticos. Isso é uma ilusão. Nossa participação ativa, vigilante e austera, essa sim será a solução.
Uma solução que para muitos é difícil e trabalhosa e chama-se voto consciente. Votar de maneira consciente é abrir mão do fisiologismo, do comodismo, das futilidades, do individualismo, da corrupção, da preguiça e da alienação.
Facultar o voto é omissão. É agir como Pôncio Pilatos. É jogar um direito nosso na lata de lixo. Direito conquistado pelas lutas de muitos brasileiros, que deram suas vidas pelo ideal de um país democrático.
Nossa vida, muitas vezes imbecil e fútil, regadas a cerveja, festas, novelas e BBBs apaga de nossas mentes a importância de cuidarmos de nossa sociedade.
O “Analfabeto Político”, poema escrito por Bertolt Brecht é a síntese da mentalidade da massa de brasileiros que jogam seu direito fora dando um voto nulo ou branco, ou até mesmo querendo que o voto seja facultativo. O “Analfabeto Político”....
“............. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”.
“O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce à prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.
Acabar com os políticos corruptos e governos sujos e inoperantes, exige mais compromisso e menos omissão. Quem vota nulo e branco não tem direito de reclamar. É exatamente como o dono da casa que não participa de nada para melhorar sua casa, sua rua, seu bairro e sua cidade.
Nós somos responsáveis pelo sistema político em que vivemos. Ou seja, se, temos o direito ao sistema democrático, temos também o dever mínimo de votar. Não podemos abrir mão desta conquista, deste direito.
Na letra da música “criminalidade” escrita pelo cantor e compositor Edson Gomes ele afirma: “a gente precisa de um super-homem que faça mudança imediata”. Não, isso é ficção, isso é poética. Não existem super-heróis. Ninguém sozinho conseguirá mudar nada. Sozinho ninguém mudará sua casa, sua rua, seu bairro, sua cidade e muito menos o Brasil. Na verdade precisamos de cidadãos unidos, comprometidos e responsáveis, conscientes do seu voto, enquanto direito, por um Brasil melhor.
O que vai mudar em nossas vidas é o dia a dia cidadão, que acompanhamos e cobramos o trabalho do parlamentar ou do gestor em que depositamos o nosso voto, o voto de confiança. E esta tarefa é extremamente fácil. A internet é um dos meios e está ai para nos ajudar. Não devemos perder nosso tempo vasculhando a vida alheia, buscando fofocas e futilidades, façamos desse tempo algo útil, fiscalizando, estudando, acompanhando coisas que realmente tenham importância para melhorar nossa vida e o nosso país.
Votar obrigatoriamente como direito não tira pedaço, não aliena, não ofende, não infecciona, não nos torna imbecis. Votar consciente é não trocar um direito por favorecimento pessoal. O voto é um direito democrático que nos faz cidadãos brasileiros.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

WHATSAPP É PARA GENTE EDUCADA!





1. APRESENTE-SE! - Se você vai conversar pela primeira vez com uma pessoa. Apresente-se formalmente, peça permissão para adicioná-la aos seus contatos. Faça isso somente em dias úteis e horários comerciais.

2. ESCREVA CORRETAMENTE! - Utilize as normas da língua portuguesa. A escrita não foi inventada por modismo, mas para os seres humanos se comunicarem. Textos mal escritos e pontuados, com excesso de desenhos (emoticons), imagens, abreviaturas não convencionadas... Geram duvidas interpretações erradas, brigas, confusões, principalmente em grupos de amigos e familiares. 
3. OBJETIVIDADE! - Vá diretamente ao assunto! Ninguém gosta de ler no smartphone textos longos. Reflexão interessante encaminhe-a via e-mail e avise por whatsapp. 
4. ESCREVA! - Os arquivos de áudio e vídeo são práticos, mas nem sempre quem está do outro lado pode ouvir. Reuniões, aulas, atendimentos são algumas das atividades que impedem visualização ou audição da mensagem. 
5. NÃO SEJA IMEDIATISTA! - Não é porque uma pessoa leu sua mensagem que ela é obrigada a responder na mesma hora. Nem sempre é possível. Ela pode estar ocupada ou precisar de algum tempo para lhe dar a resposta que você pediu. 
6. SE FOR URGENTE, LIGUE! - Pode parecer estranho, mas os smartphones fazem ligações telefônicas. O Whatsapp não extinguiu os outros meios de comunicação e ninguém é obrigado a ficar de plantão esperando mensagens. 
7. CONVIDE! - Antes de adicionar qualquer pessoa em um grupo, consulte-a. É uma invasão de privacidade ser adicionado a um grupo sem consentimento, pior, não ter nada a ver com o objetivo grupo. 
8. QUEM? - Veja para quem você envia suas mensagens. É Se você não gosta de determinados assuntos, o mesmo acontece com as outras pessoas. Veja para quem você envia conteúdo, pornográfico, religiosos, mensagens de bom dia, etc.
9. PERFIL DO GRUPO - Consulte o administrador do grupo sobre as restrições de assunto, caso contrário, não seja desagradável ou inconveniente. Respeite o objetivo de cada grupo e tenha desconfiômetro. Grupo de trabalho, familiar, amigos, esporte.... Cada um tem o seu foco. 
10. PARTICULAR - Assuntos de interesse e/ou questões particulares não devem ser tratadas em grupo. Mande sua mensagem no perfil da pessoa com quem você deseja conversar.
11. CHEQUE A FONTE - Não compartilhe nada que você não possa conhecer e provar a origem da informação. Textos, noticias, incêndios, falecimentos, fim do Bolsa família e 13º....., Isso não é engraçado. Demonstra que você é irresponsável e não se importa em prejudicar pessoas.
12. ARQUIVO - Cuidado com o que você guarda no seu celular. Lembre-se, você pode perdê-lo ou ser roubado e sua vida pode ser exposta para o mundo.
13. HORÁRIO. - Se você não tem intimidade com o seu interlocutor, não o importune no horário das 19:00 às 08:00 com mensagens. Só em caso de necessidades. É deselegante! Respeite o horário de descanso dos outros!
14. RESPEITO - O Whatsapp e todas as outras tecnologias existem para facilitar nossa vida e não nos tornarmos dependentes delas. Existe vida ao seu redor. Viva e conviva com as pessoas. Nos jantares, almoços, reuniões, quem esta ao seu lado é mais importante do que qualquer aparelho eletrônico ou rede social. Tudo tem o seu momento e você e o mundo não vão acabar se você não acessar o whatsapp por algum tempo. 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A BADERNA NA ARENA FONTE NOVA

 
As imagens de alegria das arquibancadas da Arena Fonte Nova não traduzem a verdade
durante o jogo Bahia X Sport, 12/04/15, pela semifinal da Copa do Nordeste. No setor super norte a baderna, a desorganização e perigo para os torcedores que compraram ingresso para assistir ao espetáculo foi a cereja do bolo.
É da cultura baiana que muitos torcedores, pela emoção, não consigam sentar para assistir aos jogos. Ficam andando de um lado para outro, ouvindo rádio, sofrendo, chorando, reclamando... é compreensível e natural.
Outros torcedores, como eu, que passam pela mesma agonia, preferem ficar sentado, assistindo o jogo, focado nos lances, agoniados, roendo as unha.
Mas, a falta de educação somada a desorganização do evento permitem o surgimento de um verdadeiro inferno na Arena Fonte Nova.
Como a baderna é generalizada o que esta no ingresso é fictício. Senta-se aonde quiser. Centenas de torcedores mal educados, de maneira grosseira e irritante assistiram ao jogo em pé nas escadas. “E o resto que se dane”.
Como a Arena Fonte Nova não tomou nenhuma atitude a baderna foi instaurada no setor super norte. Ou você assistia ao jogo em pé ou enfrentava os “valentões mal educados”, donos do espaço público.
Com a ocupação das escadas, quem esta sentado foi obrigado a ficar em pé num efeito dominó. Ou seja, você paga, caro, para assistir ao jogo sentado e pela falta de educação e organização é obrigado a assistir a jogo em pé. Será que isso não fere o direito do consumidor?
Pior, não se pode sequer ir ao banheiro, pois as passagens estão obstruídas e intransitáveis. E eles, os “donos dos espaços públicos” provocam e agridem verbalmente se você quiser usar a área de circulação. Se você não se acovardar será fatalmente agredido pelos trogloditas.
Consequência? Você que se considera civilizado fica refém dos mal educados, da desorganização, da ausência da policia....se você falar é burguês... transformaram o anel superior (setor super norte) em mictório, retornando as práticas da velha Fonte Nova.
Ah! Como não havia policia no local os cheiradores de pó fizeram a festa!
O que foi ruim no primeiro tempo, na volta para a etapa final tornou-se o inferno. E não havia nenhum preposto da Arena Fonte Nova e nem da Policia Militar para tomar nenhuma providência. Voltamos à barbárie! a lei do mais forte!!!
Sozinho, com um amigo ou familiar é constrangedor passar pelo desconforto que fomos submetidos na Arena Fonte Nova. Não se trata de frescura, mas de civilidade, de respeito ao direito dos outros.
Temos um equipamento esportivo de primeiro mundo e precisamos nos adaptar, nos educar para usa-lo. Não podemos continuar na primitividade e na falta de educação que mancha a nossa imagem.
Ser torcedor não é ser baderneiro. A descontração e alegria não podem ser confundidas com desrespeito ao próximo. Podemos sim vibrar, sofrer, andar, gritar, xingar, mas temos a obrigação de respeitar o direito dos outros.
Esperamos que o Esporte Clube Bahia, a Arena Fonte Nova, a Federação Bahiana de Futebol, O ministério Publico, o Procon e os demais órgão de defesa do consumidor adotem medida urgente para evitar que nos próximos jogos a baderna continue na Arena Fonte Nova.

Carlos Moura, Tricolor solitário
8622-5560 / 9195-1406

sábado, 6 de dezembro de 2014

CADÊ O TORCEDOR DO BAHIA?

Após análise das informações disponíveis no site oficial do Esporte Clube Bahia esta intrigante pergunta me ocorreu: Cadê o torcedor do Esporte Clube Bahia?

Sim! Cadê a nação tricolor que em 1988 tomou conta do aeroporto Dois de Julho e das ruas de Salvador comemorando o nosso segundo título brasileiro? Cadê os 50.000 tricolores que em 2006, clamando aos pés do poeta Castro Alves, queriam a devolução do Bahia? Cadê os 60.000 torcedores que assistiram na Fonte Nova o retorno à primeira divisão do Campeonato Brasileiro e a trágica morte de sete apaixonados tricolores no ano de 2007? Cadê os bravos democratas de 2013?
Hoje, dezembro de 2014, temos apenas 14.900 torcedores como sócio, das quais só 7.236, 48,5% estão aptos a votar nas eleições para a escolha do novo Presidente e do Conselho Deliberativo. Muito pouco para o gigante que é o Bahia.

Os torcedores/sócios, aptos a votarem nas eleições garantem R$ 289.440,00 mês e R$ 3.473.280,00 no ano de 2014 de receita para o Bahia. Se os 14.900 torcedores/sócios estivessem adimplentes estas receitas dobrariam. Recursos importantes e que não poderiam ser desprezados para a manutenção e melhoria do Bahia em todos os aspectos.
Pior, 14.900 torcedores/sócios, são apenas 29% dos 50.000 que desfilaram na Avenida Sete em 2006; 23% dos 60.000 que assistiram a ascensão do Bahia em 2007 na Fonte Nova; 0,43% em relação 3.400.000 torcedores estimados pela pesquisa IBOPE e que estabeleceu o ranking das torcidas em 2014. Qual o potencial e a importância desta torcida para vida financeira, administrativa e esportiva do Bahia?

Um potencial desprezado e alijado pela atual “gestão suspensório”. 52% de inadimplência é um índice inadmissível em qualquer segmento empresarial, mas, que para os dirigentes do Bahia nada significa. Enquanto isso os torcedores gastam mais com assinatura de TV a Cabo e Pay-per-view do que com ingressos e mensalidades de sócio. O que ganhamos sendo sócios do Bahia? Para que ir ao estádio?
Mas, o que esta por detrás destes frios números é o distanciamento do torcedor da vida do esquadrão de aço. O torcedor do Bahia sofre a distância, nos bares, nos sofás, nas esquinas, na escuta das resenhas esportivas, mas, não vive o cotidiano do nosso amado clube. Por quê? Qual a intencionalidade deste desprezo pelo torcedor que é o maior patrimônio do Esporte Clube Bahia? Tornar torcedores em telespectadores? Fantoches?

A despótica gestão suplantada pela “democracia” tricolor foi substituída pelo aparelhamento político-partidário, desastroso, letárgico e estéril, cujo legado, salvo um milagre, será o vergonhoso e humilhante rebaixamento.
De certo, o distanciamento, a omissão, o silêncio, o comodismos darão espaço aos destruidores da nação de aço. E, diante do paradoxo da tragédia e renovação, devemos perguntar: Cadê o torcedor do Esporte Clube Bahia?

Carlos Moura
Tricolor solitário

Fonte:
http://www.esporteclubebahia.com.br/socios-aptos/
http://www.esporteclubebahia.com.br/wp-content/uploads/2013/12/ListaSociosBahia_ATIVO06AGOSTO.xlsx

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A FEIRA DO LUXO E AS FEIRAS DO LIXO

Intrigante o empenho, ainda que letárgico, do Governo Estado da Bahia em qualificar a Ceasa do Rio Vermelho. A ceasinha será um verdadeiro shopping de hortifrutigranjeiros, flores, alimentação e serviços, que por sua estruturação parece ser destinada exclusivamente à burguesia soteropolitana.

Enquanto isso, os Mercados de Santa Bárbara, Itapuã e Paripe, as feiras do São Joaquim, de São Miguel, da Sete Portas, Ogunjá, Ceasa do Cia, a extinta Ceasa de Narandiba, dentre outras feiras, amargam o esquecimento, o abandono de suas histórias e a importância para economia popular local.
Estes espaços que poderiam ser perfeitamente requalificados e incluídos nos roteiros turísticos, alavancar a nossa economia e gerar empregos, estão abandonados pelo poder público. Perdem os baianos e os turistas que se distanciam da gastronomia, cultura, história, religiosidade e humanidade existente nestes espaços.

A emblemática Feira de São Joaquim deveria ser um porto de oportunidades na Bahia de Todos os Santos. Possuidora de uma localização estratégica e privilegiada, a beira-mar, com um pôr do Sol estonteante, portas abertas para uma baia de muitas vidas e faces, hoje é sinônimo de sujeira e desordem.
A Feira do São Joaquim deveria receber prioritariamente o tratamento dado a Ceasinha do Rio Vermelho que não possui nenhum dos atributos da feira de Água de Meninos. Mas, essa lógica foi invertida por que os “ricos” preferem frequentar o Rio Vermelho. Vejam quem são e serão os feirantes e frequentadores da Ceasinha e quem são os da Feira de São Joaquim! Para quem o Governo do Estado trabalha realmente? Governa para as grifes!

Quantas histórias e beleza têm a Feira de São Miguel e a Feira da Sete Portas? Quanta construção social e étnica estão guardadas nas pedras que pavimentam suas existências? Quantas lágrimas, sorrisos, solidão, festas, famílias, escravidão e libertação estão contidas por detrás dos olhares mestiços, negros e brancos, vivos e mortos de seus frequentadores?
Por quê tanto interesse em transformar a Ceasinha do Rio Vermelho em um shopping? Por que ela se destina aos Moradores do Horto Florestal, Pituba, Itaigara, Cidade Jardim e outras áreas nobres? Os moradores do Nordeste, Vale das Pedrinhas, Chapada e Santa Cruz são e serão consumidores da Ceasinhas? Não! Estes bairros populares têm suas feiras, como a do Final de Linha do Nordeste. Os pobres foram expulsos silenciosamente da Ceasinha.
As hostes burguesas frequentam as feiras para demonstrar sua distorcida e falsa humanidade, mas querem estas feiras como shopping para serem “instagraniadas”.  Não conseguem viver sem ar condicionado, andar de chinelos, conversar com pobres, sentar em bares e restaurantes populares. Querem glamour e a feira não lhes oferece isso. Feira, oferecer a linda realidade que eles preferem fingir que não existe. Eles têm nojo.
Teremos “happy hour” na Ceasinha? Temakeria? Conversas sobre negócios em restaurantes de Feira? Decidem política na Feira? Marcam jantares na feira? Feira é para pobre!?

O Governo do Estado, silenciosamente, promove o apartheid social em nossa desigual cidade do São Salvador. Enquanto os ricos terão a “Feira do Luxo” os pobres continuarão com as “Feiras do Lixo”.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A TIM VAI LONGE CONTRA OS SEUS CLIENTES

No dia 14/02/14 minha linha foi bloqueada, inclusive para receber chamadas, sem nenhum aviso ou notificação. Depois de passar o dia tentando falar com a TIM, no final da tarde descobri que o bloqueio deu-se pela ocorrência de "alto consumo" segundo informação do atendente TIM.

Mas, o "alto consumo" não foi cobrado e/ou descrito na única fatura existente para pagamento no valor R$ 49,90, vencida no dia 07/02/14 (sexta-feira) paga no dia 10/02/14 (segunda-feira). No site da TIM, pagina do cliente, não havia nenhuma outra fatura.
Ou seja, fui bloqueado por “alto consumo” e por “falta de pagamento”, mas só a TIM sabia disso. Sem alternativa, fui bloqueado sem saber por que, que devia e quanto devia!
Ainda no dia 14/02/14 em contato com o atendimento TIM obtive um código de barras ERRADO para pagamento da fatura de “alto consumo” no valor de R$ 120,22.
Realizei novo contato com TIM no dia 15/02/2014, quando finalmente, após 46 minutos e 36 segundo de ligação consegui obter o código de barra correto da “fatura fantasma”, efetuar o pagamento e solicitar o desbloqueio (Protocolo de atendimento enviado via SMS nº. 2014045337382 as 10:22).
Concluindo a ligação, perguntei a atendente da TIM como poderia evitar este acontecimento, mas para minha supresa, fui informado que não há como evitar. Eu não tenho como saber se estou tendo “alto consumo”,  a TIM não pública no site a fatura de “alto consumo” e a TIM pode realizar a qualquer momento novo bloqueio por “alto consumo”. Quando isso ocorrer terei que ligar novamente para TIM.
Como dizem que perguntar não ofende: Como posso pagar uma fatura "fantasma" que o só a TIM sabe que existe? Por que a TIM não incluiu o "alto consumo" na minha fatura regular? Por que até o dia 15/02/14 as 10:22 a fatura vencida em 07/02/14 não foi dada como quitada? Cadê a ANATEL? Socorro!!!!!!!

sábado, 19 de outubro de 2013

OS CROODS

O filme Os Croods, desenho animado da DreamWorks, é uma película primorosa em todos os aspectos, capaz de cativar pessoas de todas as idades e possibilitar discussões diversas.

Dinâmico, prende o espectador levando-o a uma jornada pela idade da pedra, com incríveis acontecimentos durante toda a exibição, seus efeitos visuais nos fazem viajar pela teoria da evolução das espécies, das mudanças geológicas e como estas afetaram a vida na terra.

Outro aspecto interessante é a inevitável associação com a alegoria da caverna, também conhecida como parábola da caverna, mito da caverna, escrito pelo filósofo grego Platão.

O mito da caverna nos ensina como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade, onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal.

O mito da caverna é uma metáfora da condição humana perante o mundo, no que diz respeito à importância do conhecimento filosófico e à educação como forma de superação da ignorância. A saída gradativa do senso comum enquanto visão de mundo e explicação da realidade para o conhecimento filosófico, que é racional, sistemático e organizado, que busca as respostas não no acaso, mas na causalidade.

Segundo a metáfora de Platão, o processo para a obtenção da consciência, isto é, do conhecimento abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis) e o domínio das idéias (diánoia e nóesis).

Para o filósofo, a realidade está no mundo das ideias - um mundo real e verdadeiro - e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo das coisas sensíveis - este mundo -, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são mutáveis, não são perfeitas como as coisas no mundo das ideias e, por isso, não são objetos suficientemente bons para gerar conhecimento perfeito.

Os Croods dialogam com o mito da caverna de maneira agradável e compreensível. Estimula crianças e adultos a refletirem sobre a possibilidade do novo e do conhecimento. A saírem da ignorância em que vivemos na atualidade.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SALA DE AULA NÃO COMBINA COM CELULAR

Tramita na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia o Projeto de Lei nº. 16.724/2007 de autoria do Deputado João Carlos Bacelar, que dispõe sobre a proibição do uso de equipamentos eletroeletrônicos nas escolas do Estado da Bahia.
 
Na última quinta-feira, 12, os professores do Grupo de Pesquisa de Comunidades Virtuais da Universidade do Estado da Bahia – UNEB publicaram uma Carta Aberta manifestando posição contraria a aprovação do referido projeto de lei.
 
Após leitura do referido projeto e falando estritamente na condição de Professor e Pedagogo, considero descontextualizada a Carta Aberta contra o Projeto de Lei 16.724 que tramita desde 2007.
 
É visível que a referida carta contém um ranço radicalista dos educadores que adoram ficar sentados nas universidades, divagando sobre o fazer pedagógico como se este fosse um mero produto de laboratório.
 
Se o núcleo realmente estivesse “acompanhando” a tramitação nesta Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, do Projeto de Lei datado do ano de 2007, estaria nestes seis anos visitando as salas de aula e coletando os depoimentos dos professores que sofrem com a indigesta tarefa de ministrar aula ao som dos toques polifônicos dos celulares. Não há raciocínio ou concentração que suporte interferências indiscutíveis como esta em questão.
 
O núcleo realmente não acompanhou a tramitação do projeto, pois não a relatos de que este tenha travado alguma discussão ao longo de seis anos com o deputado autor, com a Comissão de Constituição e Justiça e com a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa para barrar ou aperfeiçoar a peça legislativa.
 
A própria carta reconhece que o projeto assegura o uso dos dispositivos para fins pedagógicos, simples, claro e cristalino. Constatação põe por terra todos os argumentos contrários à proposta. Se o aparelho tem função pedagógica não há restrição de uso.
 
No ensino médio, com aula de aproximadamente 50 (cinquenta) minutos, quanto tempo um professor perde apelando aos alunos que desligues seus celulares? Quantos conflitos podem ser evitados entre professores e alunos com a adoção de uma simples medida disciplinar? Por que nos concursos públicos o uso dos celulares é proibido? Para evitar somente a pesca virtual ou por conta também da concentração dos alunos?
 
Os autodenominados “representantes das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado da Bahia, responsáveis pela formação dos professores que atuam na rede pública e privada” têm a obrigação de transpassar o radicalismo. Radicalismo demonstrado pela precipitada petição eletrônica já que não há nenhum debate público declarado sobre o tema ou questão fechada sobre a aprovação, ou não, da matéria, que ainda não se sabe quando vai a plenário.
 
Os pesquisadores precisam entender que a realidade docente nos extremos urbanos e rurais possui distancias abissais das monografias e teses, escrita em salas climatizadas.
 
É inegável a importância das tecnologias, especialmente as digitais e telemáticas, para formação dos estudantes e também dos docentes, mas o limite do uso destes mecanismos quando não são para fins pedagógicos é visceral, para o bem do processo de ensino-aprendizagem ou então cabe perguntar: Qual a intenção de polemizar uma questão tão simplória?
 
Qualquer professor e aluno, comprometido com o processo de ensino-aprendizagem, considera inaceitável a interrupção de uma aula, de uma palestra, da quebra de um raciocínio lógico ou de um debate, por um toque estridente, inconveniente e inoportuno de um celular, acompanhado de um dialogo desvirtuado do contexto e que, via de regra, não é nenhuma emergência familiar ou trabalhista.
 
Defender o uso de celulares ou quaisquer outros aparelhos que possibilitem perturbar a dinâmica de uma aula é no mínimo surreal.
 
Não há nenhuma “constituição em espaços/recursos de aprendizagem potencializadora do desenvolvimento de competências comunicativas dos sujeitos em formação”, bem como suas “habilidades cognitivas, sociais, afetivas, as quais têm sido ampliadas, agora, pelos dispositivos móveis”, quando estes são usados de maneira desvirtuada de sua função.
 
Os “dispositivos móveis estão presentes no cotidiano de crianças, adolescentes e adultos” é um fato, mas, utilizados fora do contexto pedagógico, não “constituem-se em espaços para comunicação, aprendizagem e geolocalização” e nem possibilitam “a emergência de novas culturas e novas práticas pedagógicas na sala de aula”. Isso é uma falácia.
 
Podem estes servir para entretenimento individual e sala de aula não é local de entretenimento. O ato docente não pode ser banalizado pela busca insana de tornar lúdica e divertida as aulas para agradar e seduzir os alunos.
 
Obvio que “a escola não pode se fechar para o que acontece ao redor do mundo e, mais uma vez, ficar alheia aos desejos e demandas dos seus estudantes”. Mas, cabe perguntar: A escola tem que se transformar num parque de diversões para não ficar “fora do mundo” ou “distante dos desejos estudantis”?
 
Estabelecer limites aos educandos é ferir sua autonomia, sua liberdade? E quando a forma dialógica não assegura o espaço pedagógico do ensino-aprendizagem?
 
Os representantes dos professores afirmam ainda que “os docentes precisam”, ao invés de abominar os celulares, “enfrentar o desafio de ensinar com esses recursos tecnológicos digitais” usando-os, “na intenção de atrair a atenção de seus alunos, tornando o ensino mais lúdico”.
 
Ou seja, os professores, segundo o conceito dos seus representantes, devem assumir mais uma tarefa pedagógica: Orientar os alunos como devem usar os seus aparelhos celulares durante as aulas. Faça-se então um urgente convênio entre a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Operadoras de Celulares e a Uneb para realização de cursos de qualificação docente.
 
Em qualquer atividade humana a existência de limites faz-se necessária e isso não é privação de liberdade e/ou autonomia. Disciplina é liberdade, assim afirmava o poeta Renato Russo.
 
A aprendizagem e a internalização dos conceitos de limites dar-se-á “partir da mediação dos adultos, sejam os pais ou os professores” com definição de regras claras e objetivas que nivelam os desejos individuais diante do bem coletivo.
 
É um sofisma afirmar que a proibição de utilização dos dispositivos móveis no ambiente escolar, fora do contexto pedagógico, fere “o exercício da autonomia, da liberdade, da escolha e o desenvolvimento da maturidade”. Este pensamento transita entre a distorção e o radicalismo.
 
O Projeto de Lei 16.724 de 2007 deveria ser estendido às bibliotecas, salas de cinema, teatros, dentre outros espaços, afinal estes também são ambientes de ensino-aprendizagem e sofrem com a perturbação causada pelo mau uso da tecnologia.
 
Na argumentação da Carta Aberta há a afirmação de que dentre as ações do Ministério da Educação - MEC estão à distribuição de Tabletes para a rede pública. Mas, a ação visa exclusivamente o uso pedagógico não a banalização do momento docente.
 
O projeto não proíbe a interação dos sujeitos com aparatos tecnológicos, mas limita o seu uso quando distinto do uso pedagógico exclusivamente durante as aulas.
 
O linguajar rebuscado e performático da academia diz que: “Temos, sim, que educar os sujeitos para (re)significar os melhores tempos e espaços de interação, e isso é papel, também, da escola. Temos que repensar o enfoque até então dado ao processo ensino-aprendizagem e à formação docente, buscando consolidar ou redimensionar perspectivas e práticas”. Fluidifica os ouvidos, mas não dá conta da realidade.
 
A discussão que precisa ser travada pelo núcleo de Comunidades Virtuais junto à sociedade é a dependência patológica da tecnologia e virtualização das relações sócio-familiares que os sujeitos estão construindo por conta da sedução e alienação midiática fruto da voracidade capitalista.
 
Como professor e pedagogo, durante minhas aulas só quero estes equipamentos funcionando se estiverem relacionados à atividade docente realizada naquele momento, caso contrário peço a gentileza do automático desligamento, inclusive dos meus, salvo para aqueles que previamente informem a necessidade de atendimento emergencial em modulo silencioso. Isso não é autoritarismo. É disciplina e educação.
 
O Projeto de Lei não nega nada à escola e sim a auxilia e aos docentes, atores, que constroem, diariamente, o fazer pedagógico e sofrem com completa ausência de limites e disciplina nas unidades escolares fruto da “autonomia e da liberdade discente” e ainda têm que assumir as responsabilidades inerentes à família.
 
Carlos Moura
Licenciado em Pedagogia pela Universidade Católica do Salvador
http://carlosmourasantos.blogspot.com.br/

Para insuflar e subsidiar as discussões segue:
Link para acesso ao Projeto de Lei 16.724/2007
http://www.al.ba.gov.br/atividade-parlamentar/proposicoes-resultado.php?cod=PL./16.724/2007.

Link para acesso a Carta Aberta
http://www.uneb.br/2013/09/12/professores-sao-contra-projeto-que-quer-proibir-uso-de-aparelhos-eletronicos-nas-aulas/

quinta-feira, 9 de maio de 2013

CADÊ O RIO DE NARANDIBA?

Cadê o rio que cortava a região de Narandiba? Se o nome técnico é rio ou córrego não sabemos, mas havia um caminho de água, no canteiro central da Avenida Edgar Santos, Narandiba, inclusive com uma pequena barragem de pedras, nas imediações da entrada do CSU de Narandiba.

Certamente ainda há resquícios deste caminho d’água, que surgia aos olhos nas imediações da conhecida rótula do Hospital Juliano Moreira e corria pela Avenida Edgar Santos até desembocar, ainda hoje, na lagoa situada entre o Cabula IX (Conjunto Doron) e o SERPRO, conhecida apenas por moradores ou imagens áreas.
Na pagina da Secretaria Municipal da Cidade Sustentável (http://www.sma.salvador.ba.gov.br) tem-se a informação da Bacia Hidrográfica Pedras-Pituaçu, composta de 19 (dezenove) sub-regiões dentre elas, Cabula VI, Doron, Narandiba e Saboeiro, por onde passa este caminho de água, que “misteriosamente desapareceu”.
 
Este caminho de água, além de sua função natural, servia de espaço de lazer e fonte de renda para muita gente até meados dos anos 90 do século passado, aos poucos e sob o olhar complacente e/ou conveniente dos governantes, foi desaparecendo e passou a dar lugar a uma ocupação irregular de casas populares, sem nenhum planejamento urbano e social.
Ocupação feita por pessoas humildes, mas também por especuladores que hoje moram na Pituba, Itaigara, Imbui... e ocuparam (para não dizer invadiram) áreas públicas, construíram prédios, retalhando-os em pequenos imóveis para sobreviverem dos alugueis cobrados dos pobre que não têm aonde morar. Uma indústria lucrativa e que o governo faz vista grossa, afinal a miséria de muitos faz a riqueza de poucos.
Esta ocupação irregular para a qual a SUCOM e a CONDER sempre se omitiram e foram até certa medida incentividadoras, afinal, se não coibiram a ocupação, permitiram, ou seja, incentivaram que esta acontecesse, continua a crescer em tamanho e em problemas, sem nenhuma ação concreta. E cabe perguntar: A quem interessa a continuidade deste crescimento desordenado?
De certo é que nas extremidades da Avenida Edgar Santos, muito ante de existir qualquer construção irregular, o Governo do Estado, através da falecida URBis, construiu corretamente o Cabula IX (Conjunto Doron) e o Cabula VI, no alto dos morros, aonde não haveria alagamentos e com infraestrutura urbana. Fez o óbvio.
Afinal, na parte baixa corria um rio e todos nós sabemos que não devemos construir casas onde o rio passa. As águas correm para baixo, nunca para cima. Mas, absurdamente, resolveram deixar ocupar exatamente o lugar do rio. Nunca pensaram que o rio em dia de chuva ira encher? Causar alagamentos? Invadir casas? Destruir móveis? Causar doenças? Desabrigar pessoas? Criar mais despesas para o município e para o bolso do contribuinte?
Não. Ninguém pensou (ou não quis pensar) nestas questões. Nem os que queriam a qualquer custo um lugar para morar e nem os órgãos governamentais que tinha a obrigação de não permitir este absurdo, pois os problemas eram previsíveis e perfeitamente evitáveis.
Mas, a SUCOM e a CONDER silenciosamente deixaram o absurdo acontecer. Permitiram a ocupação irregular justamente aonde o rio corria a para aonde as águas da chuva do Conjunto Doron, Cabula VI, Tancredo Neves e Silveira Martins corriam também. Apenas um exemplo: Na entrada do Conjunto Doron a SUCOM e a CONDER permite a invasão das áreas pública e de circulação sem nenhuma ação contrária. Por quê?
Uma coisa é certa. A mãe natureza é tolerante, mas implacável. Suas águas irão sempre ocupar o seu lugar de direito e enquanto não houver rios de dinheiro para desapropriar as casa de Narandiba (mesmo irregulares) e relocar os moradores para um lugar descente para morar ou inventarem uma mirabolante e cara estrutura de drenagem, o rio vai continuar a invadir as casas e desabrigar pessoas.
Hoje esta questão deve e precisa ser respondida em caráter de urgência-  urgentíssima (como os políticos gostam de falar), pela SUCOM, CONDER, IBAMA, SEMA e IMA, caso contrário, toda vez que as chuvas caírem em Salvador teremos da pior maneira possível a resposta para a pergunta: Cadê o rio de Narandiba?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A LEI SECA PRECISA SER APERFEIÇOADA

Alguns motoristas ainda insistem em tentar desqualificar a aplicação do Código de Trânsito (Lei nº. 9.503) e sua recente atualização contra o consumo de álcool associado ao ato de dirigir (Lei nº 12.760) o que certamente não vingará, pois o combate à violência no trânsito é questão de saúde
pública.
É inegável que a lei é necessária, mas ela isoladamente criminaliza exclusivamente o motorista pelo consumo de álcool e isenta de qualquer responsabilidade os demais atores que compõem o teatro do genocídio do trânsito brasileiro. O Estado, os fabricantes, os comerciantes. Os motoristas são a ponta do iceberg, eles são os consumidores.

É vital o surgimento de leis complementares corresponsabilizando o Estado, os fabricantes e os comerciantes sobre as questões do consumo de álcool. A Constituição Federal determina como competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal legislar sobre produção e consumo (Art. 24, inciso V), mas desconhecemos qualquer ação prática do Estado sobre estes dois aspectos.
Excluído o controle da produção de bebidas pela Receita Federal para efeito de cálculo dos impostos, qual a restrição prática e efetiva para controlar, disciplinar, organizar e inibir a produção de bebida alcoólica no país? Alguém conhece alguma ação?

Assistimos diariamente, em qualquer emissora de TV, em qualquer horário, para qualquer faixa etária, peças publicitárias de grande apelo emocional, protagonizadas por grandes estrelas musicais, principalmente da “Axé Music”, estimulando e induzindo o consumo de álcool.
Assim como eram as famosas propagandas do cigarro Hollywood, mostrando atores praticando esporte radicais, expressões de liberdade e poder, sem contudo, demonstrar os malefícios do cigarro para a saúde, hoje temos as cervejarias e destilarias induzindo a juventude a beber, como se isso fosse uma ação de liberdade, felicidade e poder. A mensagem subliminar diz que só seremos livres, felizes e poderosos se estivermos bebendo. Propagandas mostram, lá no finalzinho, uma singela, ligeira e quase imperceptível mensagem dizendo: “Se beber não dirija”.

No tocante ao consumo, a pergunta persiste: qual a ação efetiva para controlar, disciplinar, organizar e inibir o consumo de bebida alcoólica no país? Aqui em Salvador, qualquer um, em qualquer lugar, pode vender qualquer tipo de bebida alcoólica a qualquer pessoa, de qualquer faixa etária. Esta é a prática. No máximo encontramos em alguns estabelecimentos comerciais, uma inerte placa dizendo que é proibida a venda de bebida a menores, nada além.
Do alto dos meus 39 anos nunca estive em qualquer bar em Salvador para assistir a uma blitz da polícia civil ou militar, juizado de menores ou conselho tutelar para fiscalizar a venda e consumo de bebidas alcoólicas, abordando comerciantes e consumidores. Sim, consumidores, que exageram e se excedem e pais que desautorizam garçons e induzem e incentivam seus filhos menores a consumirem álcool.

Qual o papel, participação e ações dos fabricantes de bebidas na luta pela redução dos danos causados pelo consumo de álcool e dos acidentes de trânsito? Somente colocar em suas propagandas uma mensagem dizendo “Se beber não dirija"?
Quanto dinheiro da saúde gastamos para cuidar dos bêbados produzidos pelas cervejarias e destilarias? Quantas famílias possuem suporte psicológico para tratar os seus alcoolistas pago com o dinheiro da cervejarias e destilarias?

A situação do consumo desenfreado de álcool se agrava com a fragilidade na produção de empregos formais. Os desempregados, na busca insana por sua sobrevivência, se instalam em qualquer lugar e vendem tudo o que podem a quem quiser consumir. Da janela de casa, para os vizinhos ou em um isopor, cheio de gelo e cerveja, sobre um carrinho de mão. Tudo pode. União, Estado e Prefeitura não se envolvem nesta situação. A venda é livre! A letra morta da lei não abala a realidade. Realidade expressa pela liberdade e felicidade sugeridas nas propagandas dos fabricantes.
O Decreto Federal nº 6.117 aprova a Política Nacional sobre o Álcool e dispõe sobre as medidas para redução do uso indevido de álcool e sua associação com a violência e criminalidade, medidas que precisam urgentemente sair do papel.

Entre as medidas do Decreto destacamos que compete ao Estado:
a proteção dos segmentos populacionais vulneráveis ao consumo prejudicial e ao desenvolvimento de hábito e dependência de álcool”.
a adoção de medidas discutidas democraticamente que atenuem e previnam os danos resultantes do consumo de álcool em situações específicas como transportes, ambientes de trabalho, eventos de massa e em contextos de maior vulnerabilidade”.
Ainda no Decreto 6.117 as diretrizes para a Política Nacional sobre o Álcool imputa ao Estado a responsabilidade de:
incentivar a regulamentação, o monitoramento e a fiscalização da propaganda e publicidade de bebidas alcoólicas, de modo a proteger segmentos populacionais vulneráveis ao consumo de álcool em face do hiato existente entre as práticas de comunicação e a realidade epidemiológica evidenciada no País;
estimular e fomentar medidas que restrinjam, espacial e temporalmente, os pontos de venda e consumo de bebidas alcoólicas, observando os contextos de maior vulnerabilidade às situações de violência e danos sociais”.
Notórias as responsabilidades do Estado são grandes, mas este não atua de maneira efetiva para combater o consumo de álcool e seus efeitos devastadores para a sociedade em especial no sistema de trânsito. O Estado permite condutores transitando livremente pelas cidades. Nas capitais ainda há um espectro de fiscalização o que não acontece na maioria das estradas, rodovias e cidades interioranas.
A perceptível fragilidade na formação, avaliação, concessão da licença para dirigir e fiscalização de alguns órgãos no Brasil. As autoescolas recheadas de instrutores de formação questionável, parindo motoristas diariamente. Motoristas “adestrados” para passarem exclusivamente, não para estarem nas ruas. Os motoristas “aprendem” a dirigir empiricamente e desconhecem as regras básicas de trânsitos.
Quando associamos a má formação de condutores ao deficiente papel do Estado, relacionado ao controle da produção e consumo de álcool e da gerência do trânsito, temos a fórmula do genocídio do trânsito brasileiro.
O Estado frágil se expressa através dos modismos, como agora, pela questão da criminalidade, realiza as “blitz tetraplégicas e previsíveis” para motociclistas, mas os demais motoristas circulam livremente.
Como saudoso fã dos ChiPs, série de TV estadunidense, exibida de 1977 a 1983, baseada nas aventuras de dois patrulheiros rodoviários em motocicletas na Califórnia, gostaria muito de ver a Transalvador e o Esquadrão Águia abordando motoristas e fiscalizando de maneira pró-ativa o trânsito de Salvador. Afinal, os motoristas precisam ser surpreendidos pelo Estado para não surpreenderem os pedestres.
Temos a clareza que o motorista não é um coitadinho social. O motorista não é uma vitima do sistema. O motorista tem consciência de suas responsabilidades, mas ele não é o único culpado pela questão de saúde pública que virou o trânsito brasileiro. É imperativo que fabricantes, comerciantes, consumidores e o Estado assumam responsabilidades, cada um em suas dimensões, para juntos evitarmos as tragédias diárias vivenciadas em nossas ruas, rodovias e estradas.