Cadê o
rio que cortava a região de Narandiba? Se o nome técnico é rio ou córrego não
sabemos, mas havia um caminho de água, no canteiro central da Avenida Edgar
Santos, Narandiba, inclusive com uma pequena barragem de pedras, nas imediações
da entrada do CSU de Narandiba.
Certamente ainda há resquícios deste
caminho d’água, que surgia aos olhos nas imediações da conhecida rótula do
Hospital Juliano Moreira e corria pela Avenida Edgar Santos até desembocar,
ainda hoje, na lagoa situada entre o Cabula IX (Conjunto Doron) e o SERPRO,
conhecida apenas por moradores ou imagens áreas.
Na
pagina da Secretaria Municipal da Cidade Sustentável
(http://www.sma.salvador.ba.gov.br) tem-se a informação da Bacia Hidrográfica
Pedras-Pituaçu, composta de 19 (dezenove) sub-regiões dentre elas, Cabula VI,
Doron, Narandiba e Saboeiro, por onde passa este caminho de água, que
“misteriosamente desapareceu”.
Este caminho de água, além de sua
função natural, servia de espaço de lazer e fonte de renda para muita gente até
meados dos anos 90 do século passado, aos poucos e sob o olhar complacente e/ou
conveniente dos governantes, foi desaparecendo e passou a dar lugar a uma
ocupação irregular de casas populares, sem nenhum planejamento urbano e social.
Ocupação
feita por pessoas humildes, mas também por especuladores que hoje moram na
Pituba, Itaigara, Imbui... e ocuparam (para não dizer invadiram) áreas
públicas, construíram prédios, retalhando-os em pequenos imóveis para
sobreviverem dos alugueis cobrados dos pobre que não têm aonde morar. Uma
indústria lucrativa e que o governo faz vista grossa, afinal a miséria de
muitos faz a riqueza de poucos.
Esta ocupação irregular para a qual a
SUCOM e a CONDER sempre se omitiram e foram até certa medida incentividadoras,
afinal, se não coibiram a ocupação, permitiram, ou seja, incentivaram que esta
acontecesse, continua a crescer em tamanho e em problemas, sem nenhuma ação
concreta. E cabe perguntar: A quem interessa a continuidade deste crescimento
desordenado?
De certo
é que nas extremidades da Avenida Edgar Santos, muito ante de existir qualquer
construção irregular, o Governo do Estado, através da falecida URBis, construiu
corretamente o Cabula IX (Conjunto Doron) e o Cabula VI, no alto dos morros,
aonde não haveria alagamentos e com infraestrutura urbana. Fez o óbvio.
Afinal, na parte baixa corria um rio
e todos nós sabemos que não devemos construir casas onde o rio passa. As águas
correm para baixo, nunca para cima. Mas, absurdamente, resolveram deixar ocupar
exatamente o lugar do rio. Nunca pensaram que o rio em dia de chuva ira encher?
Causar alagamentos? Invadir casas? Destruir móveis? Causar doenças? Desabrigar
pessoas? Criar mais despesas para o município e para o bolso do contribuinte?
Não.
Ninguém pensou (ou não quis pensar) nestas questões. Nem os que queriam a
qualquer custo um lugar para morar e nem os órgãos governamentais que tinha a
obrigação de não permitir este absurdo, pois os problemas eram previsíveis e
perfeitamente evitáveis.
Mas, a SUCOM e a CONDER
silenciosamente deixaram o absurdo acontecer. Permitiram a ocupação irregular
justamente aonde o rio corria a para aonde as águas da chuva do Conjunto Doron,
Cabula VI, Tancredo Neves e Silveira Martins corriam também. Apenas um exemplo:
Na entrada do Conjunto Doron a SUCOM e a CONDER permite a invasão das áreas
pública e de circulação sem nenhuma ação contrária. Por quê?
Uma
coisa é certa. A mãe natureza é tolerante, mas implacável. Suas águas irão
sempre ocupar o seu lugar de direito e enquanto não houver rios de dinheiro
para desapropriar as casa de Narandiba (mesmo irregulares) e relocar os
moradores para um lugar descente para morar ou inventarem uma mirabolante e
cara estrutura de drenagem, o rio vai continuar a invadir as casas e desabrigar
pessoas.
Hoje esta questão deve e precisa ser
respondida em caráter de urgência- urgentíssima
(como os políticos gostam de falar), pela SUCOM, CONDER, IBAMA, SEMA e IMA,
caso contrário, toda vez que as chuvas caírem em Salvador teremos da pior
maneira possível a resposta para a pergunta: Cadê o rio de Narandiba?
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