quinta-feira, 9 de maio de 2013

CADÊ O RIO DE NARANDIBA?

Cadê o rio que cortava a região de Narandiba? Se o nome técnico é rio ou córrego não sabemos, mas havia um caminho de água, no canteiro central da Avenida Edgar Santos, Narandiba, inclusive com uma pequena barragem de pedras, nas imediações da entrada do CSU de Narandiba.

Certamente ainda há resquícios deste caminho d’água, que surgia aos olhos nas imediações da conhecida rótula do Hospital Juliano Moreira e corria pela Avenida Edgar Santos até desembocar, ainda hoje, na lagoa situada entre o Cabula IX (Conjunto Doron) e o SERPRO, conhecida apenas por moradores ou imagens áreas.
Na pagina da Secretaria Municipal da Cidade Sustentável (http://www.sma.salvador.ba.gov.br) tem-se a informação da Bacia Hidrográfica Pedras-Pituaçu, composta de 19 (dezenove) sub-regiões dentre elas, Cabula VI, Doron, Narandiba e Saboeiro, por onde passa este caminho de água, que “misteriosamente desapareceu”.
 
Este caminho de água, além de sua função natural, servia de espaço de lazer e fonte de renda para muita gente até meados dos anos 90 do século passado, aos poucos e sob o olhar complacente e/ou conveniente dos governantes, foi desaparecendo e passou a dar lugar a uma ocupação irregular de casas populares, sem nenhum planejamento urbano e social.
Ocupação feita por pessoas humildes, mas também por especuladores que hoje moram na Pituba, Itaigara, Imbui... e ocuparam (para não dizer invadiram) áreas públicas, construíram prédios, retalhando-os em pequenos imóveis para sobreviverem dos alugueis cobrados dos pobre que não têm aonde morar. Uma indústria lucrativa e que o governo faz vista grossa, afinal a miséria de muitos faz a riqueza de poucos.
Esta ocupação irregular para a qual a SUCOM e a CONDER sempre se omitiram e foram até certa medida incentividadoras, afinal, se não coibiram a ocupação, permitiram, ou seja, incentivaram que esta acontecesse, continua a crescer em tamanho e em problemas, sem nenhuma ação concreta. E cabe perguntar: A quem interessa a continuidade deste crescimento desordenado?
De certo é que nas extremidades da Avenida Edgar Santos, muito ante de existir qualquer construção irregular, o Governo do Estado, através da falecida URBis, construiu corretamente o Cabula IX (Conjunto Doron) e o Cabula VI, no alto dos morros, aonde não haveria alagamentos e com infraestrutura urbana. Fez o óbvio.
Afinal, na parte baixa corria um rio e todos nós sabemos que não devemos construir casas onde o rio passa. As águas correm para baixo, nunca para cima. Mas, absurdamente, resolveram deixar ocupar exatamente o lugar do rio. Nunca pensaram que o rio em dia de chuva ira encher? Causar alagamentos? Invadir casas? Destruir móveis? Causar doenças? Desabrigar pessoas? Criar mais despesas para o município e para o bolso do contribuinte?
Não. Ninguém pensou (ou não quis pensar) nestas questões. Nem os que queriam a qualquer custo um lugar para morar e nem os órgãos governamentais que tinha a obrigação de não permitir este absurdo, pois os problemas eram previsíveis e perfeitamente evitáveis.
Mas, a SUCOM e a CONDER silenciosamente deixaram o absurdo acontecer. Permitiram a ocupação irregular justamente aonde o rio corria a para aonde as águas da chuva do Conjunto Doron, Cabula VI, Tancredo Neves e Silveira Martins corriam também. Apenas um exemplo: Na entrada do Conjunto Doron a SUCOM e a CONDER permite a invasão das áreas pública e de circulação sem nenhuma ação contrária. Por quê?
Uma coisa é certa. A mãe natureza é tolerante, mas implacável. Suas águas irão sempre ocupar o seu lugar de direito e enquanto não houver rios de dinheiro para desapropriar as casa de Narandiba (mesmo irregulares) e relocar os moradores para um lugar descente para morar ou inventarem uma mirabolante e cara estrutura de drenagem, o rio vai continuar a invadir as casas e desabrigar pessoas.
Hoje esta questão deve e precisa ser respondida em caráter de urgência-  urgentíssima (como os políticos gostam de falar), pela SUCOM, CONDER, IBAMA, SEMA e IMA, caso contrário, toda vez que as chuvas caírem em Salvador teremos da pior maneira possível a resposta para a pergunta: Cadê o rio de Narandiba?

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