terça-feira, 27 de setembro de 2016

VOTO, UM DIREITO DEMOCRÁTICO.


Winston Leonard Spencer Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido, pós fim da Segunda Guerra Mundial, em discurso no dia 11 de Novembro de 1947 na Casa dos Comuns, o equivalente a nossa Câmara dos Deputados hoje, afirmou.
Democracy is the worst form of government except from all those other forms that have been tried from time to time
"A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".
O conceito de democracia, sistema político criado na antiga Grécia, ao longo dos anos tem se aperfeiçoado, mas continua na sua essência assegurando a participação do povo nas decisões do governo.
Winston Churchill estava certo. Com todos os defeitos e mazelas viver numa democracia é infinitamente melhor do que viver em qualquer outro regime político. Em especial, numa ditadura, que alguns ignóbeis tentam ressuscitar.
Este texto jamais poderia ser escrito e publicado se estivéssemos em um país com sistema ditatorial como na China, no Paquistão, no Irã ou Arábia Saudita, resguardando as devidas proporções culturais e políticas. Nestes países, ações que são banais para nós brasileiros, são proibições severas, passiveis até de pena de morte.
Acessar a internet pode levar à prisão e condenação à morte; beber cerveja no Irã, a punição são 80 chicotadas; muçulmanos não podem namorar, fazer sexo fora do casamento, pois são punidos com prisão de até cinco anos; a mulher que vier a dirigir carros na Arábia Saudita recebe 10 chicotadas e não pode escolher as próprias roupas, viajar sem a permissão do marido ou pai; em países islâmicos o ato de raspar a barba é pecado; no Sudão e na Arábia Saudita têm pena de morte para gays, lésbica ou bissexual.
Imaginemos os “putões”, as “piriguetes”, os “mauricinhos”, as “patricinhas”, os “militantes políticos” e “os donos da verdade” sentados nos bares. Como viveriam em um regime ditatorial com tantas proibições e punições severas?
A “segunda-feira Gorda de Ribeira”, a “Segunda Sem Lei de Itapuã”, o final de semana em Itaparica, as lavagens, os churrascos nas lajes, as garagens, as raves, os pagodões, os paredões, os arrochas? Como seriam?
Tudo isso que temos e podemos fazer é fruto do regime democrático que vivemos. Que nos dá o direito de liberdade e de expressão. Dá-nos direito, a exemplo sentar na frente de um computador e na segurança de nossa casa e anonimato “esculhambar” livremente com tudo e com todos, sem sermos penalizados, perseguidos, torturados ou mortos.
E mesmo diante da imensidão de liberdade que temos, muitos querem fugir ao mínimo de responsabilidade, optando pela ideia simplista, distorcida e pequena do voto em branco, nulo e facultativo.
O voto branco, nulo ou facultativo não será a solução para nossos problemas políticos. Isso é uma ilusão. Nossa participação ativa, vigilante e austera, essa sim será a solução.
Uma solução que para muitos é difícil e trabalhosa e chama-se voto consciente. Votar de maneira consciente é abrir mão do fisiologismo, do comodismo, das futilidades, do individualismo, da corrupção, da preguiça e da alienação.
Facultar o voto é omissão. É agir como Pôncio Pilatos. É jogar um direito nosso na lata de lixo. Direito conquistado pelas lutas de muitos brasileiros, que deram suas vidas pelo ideal de um país democrático.
Nossa vida, muitas vezes imbecil e fútil, regadas a cerveja, festas, novelas e BBBs apaga de nossas mentes a importância de cuidarmos de nossa sociedade.
O “Analfabeto Político”, poema escrito por Bertolt Brecht é a síntese da mentalidade da massa de brasileiros que jogam seu direito fora dando um voto nulo ou branco, ou até mesmo querendo que o voto seja facultativo. O “Analfabeto Político”....
“............. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”.
“O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce à prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.
Acabar com os políticos corruptos e governos sujos e inoperantes, exige mais compromisso e menos omissão. Quem vota nulo e branco não tem direito de reclamar. É exatamente como o dono da casa que não participa de nada para melhorar sua casa, sua rua, seu bairro e sua cidade.
Nós somos responsáveis pelo sistema político em que vivemos. Ou seja, se, temos o direito ao sistema democrático, temos também o dever mínimo de votar. Não podemos abrir mão desta conquista, deste direito.
Na letra da música “criminalidade” escrita pelo cantor e compositor Edson Gomes ele afirma: “a gente precisa de um super-homem que faça mudança imediata”. Não, isso é ficção, isso é poética. Não existem super-heróis. Ninguém sozinho conseguirá mudar nada. Sozinho ninguém mudará sua casa, sua rua, seu bairro, sua cidade e muito menos o Brasil. Na verdade precisamos de cidadãos unidos, comprometidos e responsáveis, conscientes do seu voto, enquanto direito, por um Brasil melhor.
O que vai mudar em nossas vidas é o dia a dia cidadão, que acompanhamos e cobramos o trabalho do parlamentar ou do gestor em que depositamos o nosso voto, o voto de confiança. E esta tarefa é extremamente fácil. A internet é um dos meios e está ai para nos ajudar. Não devemos perder nosso tempo vasculhando a vida alheia, buscando fofocas e futilidades, façamos desse tempo algo útil, fiscalizando, estudando, acompanhando coisas que realmente tenham importância para melhorar nossa vida e o nosso país.
Votar obrigatoriamente como direito não tira pedaço, não aliena, não ofende, não infecciona, não nos torna imbecis. Votar consciente é não trocar um direito por favorecimento pessoal. O voto é um direito democrático que nos faz cidadãos brasileiros.

3 comentários:

  1. Isso é a teoria lógica. Beleza! Entretanto o que fizeram com o o os 54 milhões de voto dados a Dilma não fecha a conta. Tem alguma coisa fora da ordem. O que tem a dizer sobre?

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  2. Elis,

    Como falei no texto, não basta votar, precisamos fiscalizar e acompanhar o voto.

    Nós, 54 milhões de eleitores que votamos em Lula/Dilma não fizemos isso. Deixamos o Congresso/PMDB articular e executar o golpe.

    Se os 54 milhões de brasileiros fossem as ruas para fazer o seu voto valer e pressionar os deputados, Dilma não sairia do governo.

    Pior que isso, dos 54 milhões de votos, estimas-se que hoje estejam reduzidos a apenas algo próximo 20 milhões.

    Isso, fruto dos desgastes produzidos pelos escândalos de corrupção associados ao governo, para os quais não foram tomadas providência enérgicas.
    Se, apenas os beneficiários dos diversos programas sociais criados no Governo Lula/Dilma fossem chamados a fiscalizar o seu voto não haveria golpe.

    Nossa passividade e omissão permitiu o estupro eleitoral perpetrado no Congresso Nacional.

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