Enquanto isso, os Mercados de
Santa Bárbara, Itapuã e Paripe, as feiras do São Joaquim, de São Miguel, da
Sete Portas, Ogunjá, Ceasa do Cia, a extinta Ceasa de Narandiba, dentre outras
feiras, amargam o esquecimento, o abandono de suas histórias e a importância
para economia popular local.
Estes espaços que poderiam ser
perfeitamente requalificados e incluídos nos roteiros turísticos, alavancar a nossa
economia e gerar empregos, estão abandonados pelo poder público. Perdem os
baianos e os turistas que se distanciam da gastronomia, cultura, história, religiosidade
e humanidade existente nestes espaços.
A emblemática Feira de São
Joaquim deveria ser um porto de oportunidades na Bahia de Todos os Santos.
Possuidora de uma localização estratégica e privilegiada, a beira-mar, com um pôr
do Sol estonteante, portas abertas para uma baia de muitas vidas e faces, hoje
é sinônimo de sujeira e desordem.
A Feira do São Joaquim deveria receber
prioritariamente o tratamento dado a Ceasinha do Rio Vermelho que não possui
nenhum dos atributos da feira de Água de Meninos. Mas, essa lógica foi
invertida por que os “ricos” preferem frequentar o Rio Vermelho. Vejam quem são
e serão os feirantes e frequentadores da Ceasinha e quem são os da Feira de São
Joaquim! Para quem o Governo do Estado trabalha realmente? Governa para as
grifes!
Quantas histórias e beleza têm a
Feira de São Miguel e a Feira da Sete Portas? Quanta construção social e étnica
estão guardadas nas pedras que pavimentam suas existências? Quantas lágrimas, sorrisos,
solidão, festas, famílias, escravidão e libertação estão contidas por detrás
dos olhares mestiços, negros e brancos, vivos e mortos de seus frequentadores?
Por quê tanto interesse em
transformar a Ceasinha do Rio Vermelho em um shopping? Por que ela se destina
aos Moradores do Horto Florestal, Pituba, Itaigara, Cidade Jardim e outras
áreas nobres? Os moradores do Nordeste, Vale das Pedrinhas, Chapada e Santa
Cruz são e serão consumidores da Ceasinhas? Não! Estes bairros populares têm
suas feiras, como a do Final de Linha do Nordeste. Os pobres foram expulsos
silenciosamente da Ceasinha.
As hostes burguesas frequentam as
feiras para demonstrar sua distorcida e falsa humanidade, mas querem estas
feiras como shopping para serem “instagraniadas”. Não conseguem viver sem ar condicionado,
andar de chinelos, conversar com pobres, sentar em bares e restaurantes
populares. Querem glamour e a feira não lhes oferece isso. Feira, oferecer a
linda realidade que eles preferem fingir que não existe. Eles têm nojo.
Teremos “happy hour” na Ceasinha?
Temakeria? Conversas sobre negócios em restaurantes de Feira? Decidem política na
Feira? Marcam jantares na feira? Feira é para pobre!?
O Governo do Estado,
silenciosamente, promove o apartheid social em nossa desigual cidade do São
Salvador. Enquanto os ricos terão a “Feira do Luxo” os pobres continuarão
com as “Feiras do Lixo”.

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