Chega um momento que não há mais remendo, reparo, reforma, requalificação, ou qualquer “armengue” a ser feito em determinadas obras. Chega-se a um ponto que é melhor destruir tudo e começar do zero. Derrubar a casa e construir uma nova. Dói, mas tem que ser assim.E assim deve ser feito com a Estação de Transbordo Cleriston Andrade, a Estação da Lapa. Ela deve ser completamente demolida. Nem uma parede podre e fétida deve ficar de pé. Não há outra solução. Qualquer outra medida representará desperdício do dinheiro público, um cala-boca, um factóide.
A omissão e permissividade do poder público, a má educação dos soteropolitanos e a ação do tempo levaram a Estação da Lapa à sua completa destruição. A Lapa parece cenário de filme de ficção científica: Mad Max, 2012, Armageddon, Um Dia Depois de Amanhã e tantos outros, que devem ter sido filmados nela.
A Estação da Lapa é o maior e mais importante terminal de transporte coletivo da capital baiana. Inaugurada em 07 de novembro de 1982, tem linhas para quase todos os bairros e para algumas cidades vizinhas da Região Metropolitana. Por ela estima-se que 460.000 pessoas passem todos os dias e, atualmente, encontra-se em fase de construção uma estação de metrô, num claro remendo, já que à Estação não foi originalmente projetada para isso.
Se qualquer turista ou baiano ficar perdido na cidade, basta pegar um ônibus para a Lapa. Lá o perdido se encontrará! Também lá, o perdido encontrará uma Estação com todos os seus serviços e instalações degradadas, além da baderna e da desordem comercial. Lá, pode-se tudo.
Desculpas, promessas vazias, entrevistas evasivas, projetos hollywoodianos de reforma e factóides formam o conjunto de incertezas sobre o presente e futuro da Estação da Lapa. De certo, a aviltante situação que cada soteropolitano é submetido. Há de se estranhar o silêncio dos Vereadores e do Ministério Público sobre a Estação da Lapa. Será preciso uma ou mais mortes para que alguém faça alguma coisa ou tome uma atitude?
Narinas, olhos, ouvidos e tato constatam diariamente o que foi registrado no relatório de vistoria nº. 007/2006, de 18 de dezembro de 2006, produzido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – CREA. No documento, a entidade relata de maneira clara e contundente todos os problemas de manutenção predial, de instalações mecânicas e elétricas, de acessibilidade, de meio ambiente e de segurança. Uma inspeção técnica e profissional ratificando o que o cidadão comum e leigo é coagido a vivenciar cotidianamente, o mausoléu da Estação da Lapa. Nada mudou entre dezembro/2006 e agosto/2011: pavimentação danificada e com rachaduras; fissuras na laje de cobertura, com armadura exposta, apresentando oxidações; infiltrações em diversos pontos das lajes de cobertura do subsolo e térreo; pisos irregulares, danificados e derrapantes; pisos das plataformas de passageiros sem o adequado nivelamento, provocando acúmulo de água; coberturas dos abrigos das plataformas do pavimento térreo sendo utilizadas como depósito de material de ambulantes; ausência de sinalização horizontal e vertical; construção inadequada de calha para drenagem pluvial; caixas de drenagem obstruídas com acúmulo de lixo e ausência de grelhas; obstrução das grelhas de drenagem pluvial, decorrente de construção inadequada de rampas; instalações hidrossanitárias, escadas rolantes, sistema de exaustão, casa das máquinas, casa de medição das lojas, sala de manutenção, sala de distribuição de energia e telefonia, tudo em estado de completa destruição. Este é o cenário da Estação, que dá acesso ao centro da Cidade do Salvador, ao Pelourinho, Centro Histórico e patrimônio da humanidade.
O CREA concluiu o seu relatório dizendo: “diante do exposto e das evidências observadas “in loco”... a Estação de Transbordo da Lapa apresenta problemas diversos em todos os aspectos analisados”. Ou seja, é melhor demolir e construir tudo de novo, a partir do zero. Nada de paliativos, nada de remendos, nada de reparos cosméticos e projetos futuristas e midiáticos.
Como sempre alegam falta de dinheiro, que se faça uma Parceria Público-Privada para que tenhamos uma nova Estação da Lapa, com projeto arquitetônico, paisagístico e ecologicamente planejado, com estrutura física ampliada, moderna, confortável e arejada, com equipe fixa, 24 horas de administração, fiscalização e manutenção.
Comércio regular e informal devidamente padronizado, lícito, organizado e disciplinado. Segurança pró-ativa e humanizada. Uma Estação que contemple a prestação qualificada de serviços aos cidadãos, com postos do SAC e do SIMM, praça de alimentação, espaço para exposições artísticas e culturais e posto de atendimento médico.
E que a Prefeitura e a Câmara Municipal do Salvador criem mecanismos legais para educar e punir com severas multas, reparação dos danos causados, somadas a serviços prestados, todos os cidadãos que destruam o patrimônio público, patrimônio que é construído com o sangue e suor de muitos outros cidadãos.
Salvador precisa de uma nova e moderna Estação da Lapa, construída para atender aos soteropolitanos e, por conseqüência, aos visitantes. Uma Estação não maquiada para a Copa de 2014, mas para o futuro da Cidade do Salvador.
Rapaz....demolir a Estação da Lapa não é o mesmo que jogar dinheiro público no lixo? Como sempre a solução mais fácil nessa Bahia de Octávio Mangabeira onde todo absurdo é possível, é demolir. Assim fizeram com a Fonte Nova e agora vc sugere o mesmo com a Estação da Lapa. Vi os comentários do CREA e não vi essa solução. Dizem que os problemas existem, mas a solução ainda é uma reforma séria e completa. Aí sim vamos ver se esse Estado vai continuar cometendo absurdos ou não....
ResponderExcluirPois é Carlos, esta solução imediatista tem literalmente lesado a população que sempre sai perdendo com as priva-tarias Além dos órgãos diretamente ligados ao patrimônio público a população deve se pronunciar sim! Para que não aconteça como a Fonte Nova que com a demolição foi junto a vila olímpica, e por conseguinte o Balbininho.
ResponderExcluirConselho Regional de Engenharia e Agronomia do estado da Bahia (Crea-Ba), que fiscaliza e controla atividades como engenharia e arquitetura, também deve dar parecer contrário à demolição, digo privatização.
Realmente, qualquer solução imediata serviria apenas como maquiagem, para esconder os reais problemas enfrentados pelos usuários. A ideia inicial é de vender a estação da Lapa (Iguatemi, Pirajá e Mussurunga junto no pacote). Afinal, após a privatização exista ordem e melhoria nos serviços de transporte que abastece nossa cidade.
ResponderExcluirRealmente, qualquer solução imediata serviria apenas como maquiagem, para esconder os reais problemas enfrentados pelos usuários. A ideia inicial é de vender a estação da Lapa (Iguatemi, Pirajá e Mussurunga junto no pacote). Afinal, após a privatização exista ordem e melhoria nos serviços de transporte que abastece nossa cidade.
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