segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A CULPA É DO POVO

Só para provocar, meu amigo Gustavo Martinez, achou de perguntar minha opinião sobre o Projeto de Lei que dá titulo de cidadão soteropolitano “Pos Mortem” a Michael Jackson. Obvio, considerei a proposta algo surreal (o termo usado não foi esse), mas questionei: de quem era a culpa dessa aberração? Não é apenas do vereador que a propôs, mas do povo que o elegeu sabe-se lá por que razão.

Só para fazer uma provocação. Na noite do último dia 07/10/09 foi aprovado por unanimidade o projeto de reforma do Código Tributário de Salvador, que pode ser consultado no site http://www.sefaz.salvador.ba.gov.br.
Os 41 vereadores votaram o texto do projeto que foi aceito com a inclusão de apenas nove ementas proposta pela oposição. Um aumento médio de 20% acima da inflação no valor do IPTU, onde em 2010, teremos ainda mais 10% sobre a Cosip, a Contribuição de Iluminação Pública (vide conta de luz), e o reajuste de 15% da TFF, a Taxa de Fiscalização de Funcionamento.

Devo estar redondamente errado, mas perguntar não ofende. Será que vereadores deste quilate têm competência para avalia e votar um projeto de Código Tributário, uma matéria complexa que exige conhecimento tributário, financeiro, legal e que afeta a todos nós? Será que o povo escolhe corretamente seus representantes?

Certamente os que votaram neste tipo de político, no Brasil inteiro, não têm a mínima noção da importância e da interferência de um Vereador, Deputado ou Senador em nossas vidas. Votaram pensando na esculhambação.
Votar nulo ou votar em qualquer pessoa é uma ação medíocre, imatura e que demonstra falta de conhecimento de nossa estrutura social e política.

Não cobro isso dos que vegetam nas lixeiras das nossas cidades, atrás de latinhas e de papelão, mas da horda dos que tem condições e preferem se imbecilizarem atrás de bandas e festas de pagode, festas de camisa, torcidas fanáticas de futebol e ensaios de blocos. Da horda dos universitários que fingem ser intelectuais e que criticam sem fundamento o “sistema”. Todos bons de discursos e péssimos de prática. Dos revolucionários de mesa de bar, que só ficam sentados reclamando.

Precisamos transcender dessa história débil e falsa de que é falta de educação. A mesma capacidade cognitiva que se tem para aprender coisas fúteis e vazias, ensinadas na televisão e na internet por exemplo, também nos permite aprender e apreender coisas mais significativas e concretas.

Durante o período ditatorial o povo tinha menos acesso a educação, a televisão não informava e a internet não existia e ainda assim multidões juntaram-se, invadiram as ruas, enfrentaram o exército, tanques, bombas, tortura, cães e lutaram contra a ditadura.

Hoje, com todas as facilidades e permissividades, nos acomodamos, nos omitimos, jogamos a culpa nos outros, principalmente nos políticos, e como Poncio Pilato lavamos nossas mãos. Só esquecemos que a vida e cíclica e nós somos responsáveis por nossos atos e omissões. Político não é extraterrestre e nem divindade. Ele é o que somos e permitimos ser.

Evidente que uma boa formação (que não é apenas uma questão de escolaridade ou nível social) garante uma melhor qualidade de nossos representantes, mas somente ela não assegura o bom caráter, a honestidade e o trabalho qualificado de ninguém. Para tudo isso cabe nossa ação de fiscalização e acompanhamento da atuação parlamentar de cada um deles.

Um comentário:

  1. Com certeza o povo tem usado o precioso voto para brincar, achando que leocret's e zé's do burro são uma graça para a nossa tão suada e batalhada democracia.
    Antes os analfabetos não votavam, por serem considerados "burros" e os de hoje que têem até nivel superior, o que dizer?

    ResponderExcluir

Prezado (a) Amigo (a)
Suas opiniões são importantíssimas em minhas inquietações e reflexões.
Muito grato por sua colaboração!
(caso deseja um retorno deixe seu contato)